A MACUMBA E A UMBANDA

Segundo Nei Lopes, a palavra macumba tem origem no vocabulário dos negros bantos. No verbete macumba do seu “NOVO DICIONÁRIO BANTO DO BRASIL” (1), Lopes levanta quatro hipóteses sobre a origem da palavra.

A primeira hipótese é a adição do prefixo de plural ma com cumba, feiticeiro. Neste caso, macumba seria uma reunião de feiticeiros.

A segunda hipótese é a adição do prefixo de plural ma com kumba, prodígio. Neste caso, makumba (depois, aportuguesada para macumba) seria um monte de prodígios.

A terceira hipótese é makumba como plural de dikumba, cadeado, fechadura. Neste caso, makumba (depois, aportuguesada para macumba) seria o nome dos rituais de “fechamento de corpo”.

A quarta hipótese é a transformação da palavra mukumbu, som, em macumba. Neste caso, macumba acabou virando nome de um reco-reco (2).

Seja como for, a palavra macumba tornou-se popular no Rio de Janeiro do Século XIX, passando a designar qualquer culto mediúnico que contivesse elementos da cultura afroindígena em maior ou menor grau.

Por extensão, a palavra macumba também passou a denominar a magia praticada nessas reuniões, assim como os objetos utilizados nos rituais dos cultos. O praticante da macumba foi batizado de macumbeiro.

Segundo a maioria dos umbandistas, o espírito chamado Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou a Umbanda em 1908. A nova religião estava alicerçada na manifestação de espíritos benfazejos que se apresentavam sob a aparência de caboclos (3) , pretos-velhos (4) e outras entidades do panteão afroindígena com o objetivo de amenizar as aflições da população.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e a fundação dessa casa estimulou o surgimento de imensa quantidade de outros centros umbandistas. Primeiramente, no Rio e, depois, em todo o território nacional. Por outro lado, alguns cultos de forte característica afroindígena também passaram a se classificar como Umbanda.

O modelo de culto defendido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas não era acentuadamente afroindígena e tinha grande influência ideológica e estética do Espiritismo kardequiano. No entanto, algumas casas mantiveram a acentuada influência afroindígena e outras casas incorporam crenças e práticas do Esoterismo e das religiões do Oriente. Com isso, hoje, a Umbanda é uma religião que apresenta uma prática muito variada de um centro para outro centro. O único denominador comum entre essas várias correntes da Umbanda é a presença dos caboclos e pretos-velhos atendendo à população em suas aflições.

Na atualidade, as pessoas que ainda chamam a Umbanda de macumba agem por desconhecimento ou preconceito.

NOTAS:

(1) Nei Braz Lopes é Bacharel em Direito, Bacharel em Ciências Sociais, compositor, cantor, membro da Velha Guarda do Salgueiro, estudioso da cultura africana e autor de vários livros.

(2) Há indício de que determinado tipo de atabaque também era chamado de macumba. A informação está no livro “UMBANDA NÃO É MACUMBA” de Alexandre Cumino, Editora Madras, página 19.

(3) Segundo o “DICIONÁRIO AURÉLIO” de Aurélio Buarque de Holanda, caboclo é um sinônimo antigo de indígena. Na cultura popular brasileira, o índio que mantém bom relacionamento com os brancos também já foi chamado de caboclo.

(4) Na cultura popular brasileira, preto-velho é o negro velho, sábio, bondoso, conselheiro e conhecedor dos remédios caseiros. Um exemplo literário é o Tio Barnabé de Monteiro Lobato.

 

 

 

 

 

 

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