UMBANDA, ARTE DE CURAR

Em seu famoso livro “AS RELIGIÕES DO RIO”, o cronista João do Rio (1) cita a existência do Candomblé, mas não cita a existência da Umbanda.

Como a pesquisa de João do Rio foi ampla e profunda, isso nos leva a acreditar que a Umbanda ainda não existia em 1904 na cidade do Rio de Janeiro.

Segundo a maioria dos umbandistas, a Umbanda foi fundada e batizada com esse nome em 1908 pelo espírito chamado Caboclo das Sete Encruzilhadas.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou uma religião  alicerçada na manifestação de espíritos benfazejos que se apresentavam sob a aparência de caboclos (2) , pretos-velhos (3) e outras entidades do panteão afroindígena com o objetivo de amenizar as aflições da população.

Antes de seu décimo aniversário, a nova religião já estava bastante popularizada no Rio, como se vê pelo anúncio de uma loja de artigos de Umbanda publicado no “CORREIO DA MANHÔ de 21/03/1916.

Existem várias hipóteses sobre o significado da palavra umbanda (4). Uma dessas hipóteses é o aproveitamento pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas da palavra umbanda do idioma qimbundo ou kimbundu, falado por parte dos negros de Angola (5).

Segundo o dicionário “KIMBUNDU – PORTUGUÊS” do angolano Antônio de Assis Junior (6), uma das acepções da palavra umbanda é arte de curar. Na minha avaliação, essa é a hipótese mais plausível.

NOTAS:

(1) João do Rio era o pseudônimo de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, jornalista, cronista, escritor, tradutor, teatrólogo e membro da Academia Brasileira de Letras.

(2) Segundo o “DICIONÁRIO AURÉLIO” de Aurélio Buarque de Holanda, caboclo é um sinônimo antigo de indígena. Na cultura popular brasileira, o índio que mantém bom relacionamento com os brancos também já foi chamado de caboclo.

(3) Na cultura popular brasileira, preto-velho é o negro velho, sábio, bondoso, conselheiro e conhecedor dos remédios caseiros. Um exemplo literário é o Tio Barnabé de Monteiro Lobato.

(4) Vide HISTÓRIA DA UMBANDA, Alexandre Cumino, Capítulo 2, A PALAVRA UMBANDA, Madras Editora, 2015.

(5) NOVO DICIONÁRIO BANTO NO BRASIL, Nei Lopes, Pallas Editora, 2006, página 22.

(6) Antônio de Assis Junior foi um intelectual angolano de alta envergadura. O dicionário contou com a contribuição de mais dezenove especialistas em quimbundo ou kimbundu e foi publicado pela Editora Argente, Santos & Cia LTDA, em Luanda, Angola, em 1967. O livro está disponível na Internet no endereço https://archive.org/details/dicionriokimbu00assiuoft.

 

 

 

 

 

 

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